domingo, 30 de abril de 2017

Macron, o candidato dos 'media'

Macron, o candidato dos media

Ainda as sondagens não apontavam Emmanuel Macron como candidato capaz de chegar à segunda volta das eleições presidenciais em França, já a imprensa dita "de referência" fazia um verdadeiro exercício de propaganda a este ex-ministro de Hollande, que de repente se tornara uma "sensação", uma "novidade", uma coqueluche mediática.

Não será por isso de estranhar que os media não se inibiram de manifestar o seu apoio expresso a Macron, como se tornaram engrenagens essenciais na sua máquina propagandística.

A cobertura da noite eleitoral da primeira volta é um exemplo paradigmático e foi muitíssimo bem desmontada por Michel Geoffroy numa exaustiva análise, cuja leitura aconselho. O ensaísta francês, colaborador da Fondation Polémia, conclui que nessa noite os media instalaram Macron como o futuro Presidente da República francesa.

Em Portugal, como no resto do mundo ocidental, a postura foi fundamentalmente a mesma. No entanto, houve um exemplo raro e louvável que é se impõe referir. Felisbela Lopes, professora universitária que lecciona Comunicação Social da Universidade do Minho, escreveu um artigo no "Jornal de Notícias" cujo título diz tudo: "Os média escolhem Macron". Nesse texto,  confessa a sua "repulsa a sofisticados processos de produção noticiosa que, sob o manto da imparcialidade e da precisão, procuram passar mensagens subliminares que orientem comportamentos. Por norma, os cidadãos percebem bem essa manipulação e tendem a reagir em sentido contrário daquele pretendido. Nestas eleições francesas, seria melhor noticiar com rigor o que os dois candidatos fazem e desconstruir exaustivamente as respetivas propostas, circunscrevendo a defesa de cada um aos espaços de opinião". É a defesa de um jornalismo ideal, dirão alguns, de uma objectividade impossível, dirão outros, mas não deixa de ser uma chamada de atenção muito importante, em especial neste tempo em que os media do sistema tanto se esforçam por recuperar uma credibilidade que dificilmente voltarão a ter.

segunda-feira, 10 de abril de 2017