quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A próxima guerra

A reconfortante ideia generalizada no Ocidente da “paz perpétua” tem-se vindo gradualmente a desvanecer perante a precipitação dos acontecimentos à escala mundial, nomeadamente devido à quebra de confiança provocada pela crise económico-financeira.

Este fenómeno tem sido descrito como o “regresso da História”, uma espécie de despertar de um sonho idílico dos que acreditavam no paraíso na Terra. Não afirmavam os romanos ‘si vis pacem, para bellum’?
Por mais politicamente incorrecto que possa parecer aos bem-pensantes do costume, a guerra deve estar presente na consciência dos europeus. Não num sentido belicista, mas como um “horizonte de guerra”, tal como sentido pelos gregos antigos. Como realidade tantas vezes inevitável, como nos mostra a História humana, não pode ser esquecida ou desprezada.

Hoje, o Ocidente olha para o Próximo Oriente, nomeadamente para a guerra civil na Síria e o eterno conflito israelo-palestino, ou por vezes o Irão, como focos de tensão que podem desencadear um futuro confronto à escala mundial. Apesar de serem casos preocupantes, que merecem a nossa cuidada atenção, há que olhar mais longe.

No outro extremo do globo as águas agitam-se e parece que por cá não se dá a devida importância a vários acontecimentos cuja carga simbólica mostra que o imenso Oceano Pacífico pode voltar a não fazer jus ao nome.

Vejamos alguns exemplos paradigmáticos. Primeiro, o lançamento do primeiro porta-aviões chinês que, apesar de ser uma reconversão de um antigo navio da Marinha soviética, mostra a vontade de afirmação do gigante asiático enquanto potência bélica naval. Segundo, a intensificação do debate que se arrasta há anos no Japão sobre a alteração constitucional que revogaria o artigo 9.º, que não reconhece ao Estado nipónico o direito de beligerância. Apesar de também prever a inexistência de forças armadas, o país do Sol nascente tem-nas na prática, mantendo, desde 1954, a Forças de Auto-defesa do Japão. Para além desta, não esqueçamos a tensão entre as duas Coreias.

Será aqui que vai começar a próxima guerra?

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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