domingo, 30 de dezembro de 2007

Quem vê capas não vê caras?


O Miguel Vaz tem óptimas ideias, mas desta vez trouxe-a de um blog que muito visita e aprecia. Levar os livros que estamos a ler para um dos nossos almoços e fotografá-los para publicar foi a proposta com que logo concordei. Numa ida à Gulbenkian — com direito a repasto, museu e livros — foram as capas registadas pelo telemóvel dele. Ele levou o "calhamaço", como carinhosamente chama à edição portuguesa do "Vu de droite", que tanto me influenciou e que lhe aconselhei. Eu levei um livrinho do Jünger que comprei na minha última ida a Bruxelas. A repetir.

sábado, 29 de dezembro de 2007

«La Nouvelle Revue d'Histoire» n.º 33

O último número da excelente «La Nouvelle Revue d'Histoire», o 33, apesar de já ter saído há dois meses, merece aqui a habitual referência. O Lawrence da Arábia da capa leva-nos a um dossier de 29 páginas sobre o Próximo Oriente (a que por cá tantas vezes se chama Médio por anglicismo), com vários artigos, uma entrevista com Henry Laurens, breves biografias de figuras-chave e uma cronologia. Para além deste, uma nota obrigatória para a crónica de Péroncel-Hugoz, “Ceuta 1415: começo da expansão europeia ultramarina”, e o destaque para a interessante entrevista com Hervé Coutau-Bégarie, historiador da estratégia, o artigo “O Reich entre Weimar e nacional-socialismo”, de François-Georges Dreyfus, e os comentários de Jean-Claude Valla sobre os comunistas franceses e a Resistência. Para concluir, resta-me referir a entrevista com Dominique Venner sobre a recente reedição de “Les Blancs et les Rouges. Histoire de la Guerre Civile Russe 1917-1921”, uma versão revista e aumentada da obra publicada em 1997, quando passam 90 anos da revolução de 1917. Nestas reflexões em liberdade, o autor não fala apenas da obra e do seu objecto, mas também dos períodos de censura mascarada vivida em França após 1945 e da forma como esta o atingiu.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Reflexões de fim de ano (I)

Há dias consegui pôr alguma conversa em dia com o meu caro amigo Réprobo. Num longo telefonema onde os livros foram o tema principal — como não podia deixar de ser —, referiu-se a um post que escrevera no seu blog no ido mês de Abril, que só agora li. Na altura, a polícia do pensamento não levou apenas livros, juntou ao saque os computadores, os telefones e tantas outras coisas. Atitude que só a ignorância pode explicar, tal como previu brilhantemente Ray Bradbury. Um dos "bombeiros" que irromperam pela minha casa adentro deteve-se na escrivaninha inglesa que está à entrada, bem recheada de preciosidades, e começou a empilhar alfarrábios para levar. Tal amontoado deixou de lhe parecer uma boa ideia quando, entrado na sala, se deparou com várias estantes repletas. Pareceu pior ainda, quando a cena se repetiu no corredor e no meu quarto. Teve, então, outra ideia luminosa: apreender os livros com dedicatórias! Como seria de esperar, acabou com um punhado de volumes que versavam sobre os assuntos mais díspares, mas tal não o demoveu. Este era apenas um dos disparates — paradigmático dos tempos persecutórios que atravessamos —, porque o resto da colheita era igualmente descabido e inacreditável.

Que dizer de um país onde se apreendem livros? Onde se apreendem documentos de identificação, revistas, recortes de jornais, correspondência e apontamentos escolares? Onde se mantém o visado sem prova das apreensões e numa dúvida kafkiana quanto à sua situação judicial? E onde, quando se exige aos tribunais que façam cumprir a Lei, se é condenado a pagar avultadas custas judiciais?

Esse país é Portugal. O ano é 2007. Pensem nisto. Quando será a vossa vez?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A noite mais longa

Assim o dia se segue ao dia para lá da noite sombria, o sol reaparece depois da obscuridade, a primavera regressa apesar do inverno gelado. Assim, corajosamente, devemos acolher o ano que vem render o ano passado. E, como elo na corrente dos antepassados, prolongar no tempo a nossa linhagem e a do nosso povo.

Pequenos partidos — grandes incómodos

O extremo-centro, com o silêncio dos pequenos do parl(a)mento, decidiu perseguir os chamados “pequenos partidos”, atentando mais uma vez contra a democracia de que tanto se gaba, fazendo aplicar a Lei n.º 2/2003, de 22 de Agosto. Na base desta ofensiva está a disposição legal que prevê a extinção judicial dos partidos no caso de “redução do número de filiados a menos de 5000”, motivo incompreensível num Estado de se diz de “direito democrático”. Atente-se ainda à redacção da norma, ao falar de redução, parece que se pressupõe que todos os partidos tiveram os 5000 filiados.

Porque têm os partidos que ter determinado número de militantes? E porquê 5000? Qual o seu interesse prático para a prossecução dos fins dos partidos?

Os “pequenos partidos”, ao contrário dos que estão no poleiro de São Bento, não recebem subvenções, não estão profissionalizados, não são agências de emprego e baseiam-se em ideias. São, por isso, incómodos. E, pelos vistos, alvos a abater.

Esta artimanha legal esconde (muito mal) o verdadeiro objectivo deste ataque: a tentativa de silenciar de vozes incómodas para a ditadura do pensamento único.

Perante esta ameaça, os pequenos deram uma grande lição, independentemente de posições políticas, uniram esforços neste combate comum e solicitaram entretanto uma audiência com o Presidente da República.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Terre & Peuple Magazine n.º 33

O último número da excelente revista da associação Terre et Peuple tem como tema central “A Via Etnopolítica”, tratado num excelente dossier que conta com os artigos “A Identidade Étnica na Antiguidade Europeia”, de Jean Haudry, “Existiu alguma vez um Povo Francês?”, de Jean-Patrick Arteault e “Etnopolítica: a via do real”, de Pierre Vial. Para além da habituais secções e notícias, podemos ler um artigo dedicado aos confrontos étnicos que, pensando nos sérvios no Kosovo, lembra o caso de Chipre Norte. Nas recensões críticas, destaque para o elogio de “Carl Schimtt Actuel”, de Alain de Benoist, e a leitura do último livro de Guillaume Faye, “La Nouvelle Question Juive”, por Pierre Vial, que termina de uma forma lapidar, afirmando que “apenas podemos tirar uma conclusão que não nos agrada, mas que se impõe: a via que ele preconiza não é a nossa”.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O Regresso da República


Eu já me tinha metido com eles aqui e esperava que voltassem em força. Aconteceu! A República dos Desalinhados está de regresso, em versão 2.0, e a blogosfera agradece. Entrada directa para o destaque na coluna ao lado.

De volta à costa atlântica europeia

Com muito para contar e pouco tempo para o fazer, prometo que tentarei actualizar esta casa o mais rápido possível. Encontros, livros, recordações e reflexões... Vamos ver se consigo contar tudo. Entretanto, o meu regresso a Lisboa coincidiu com a muito badalada cimeira, que já mereceu um desabafo aqui.